quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ANÚNCIO FÚNEBRE : OS JORNALISTAS ESTÃO ENTERRANDO O JORNALISMO!

Começa a chover. Não me ocorre outra idéia para me proteger do aguaceiro: paro na banca para comprar um jornal. Em época de "crise econômica", eis um belo investimento, com retorno imediato: além de me brindar com notícias interessantes, o jornal, quando dobrado e erguido sobre a cabeça, cumpre garbosamente a função de guarda-chuva.
O jornal é de São Paulo.Poderia - perfeitamente - ser do Rio de Janeiro ou de qualquer outro estado brasileiro.Eu disse "notícias interessantes" ? Em nome da verdade,retiro o que disse.Pelo seguinte: não sou nenhum fanático por informação, não passo quatorze horas por dia conectado, não sou desses jornalistas que, à falta do que fazer na vida, acham que não existe nada sob o sol além do jornalismo. Em suma: considero-me apenas um consumidor mediano de notícias. Ainda assim, eu já sabia de noventa e cinco por cento do que aquele jornal tentava me dizer na primeira página. O que o jornal me dizia, nos títulos ? Que o São Paulo "abre cinco pontos sobre o Grêmio". Que novidade! Qualquer criança de dois anos que tivesse passado diante de um aparelho de TV na véspera já sabia. Nem preciso falar da Internet. "Chuvas em Santa Catarina matam 20". Que novidade! "Obama divulga nomes de cargos-chave". Que novidade! "EUA podem injetar até US$ 100 bi no Citigroup". Que novidade!Não é exagero: eu já tinha recebido todas essas informações na véspera.Tive a tentação de voltar à banca, para pedir meus dois reais e cinquenta de volta. Mas, não: resolvi dar um crédito de confiança ao jornal. Quem sabe, como guarda-chuva ele teria uma atuação melhor. Teve.
De tudo o que estava nos títulos da primeira página do jornal, só uma informação era "novidade" para mim: "Brasil será o único país do mundo que não eliminou hanseníase". Conclusão: o jornal estava me oferecendo pouco, muito pouco, pouquíssimo.Tenho certeza absoluta de que milhares de leitores, quando abrem os jornais de manhã, são invadidos pela mesmíssimo sentimento: em nome de São Gutemberg, para quem estes jornalistas acham que estão escrevendo ? Em que planeta os editores de primeira página vivem ? Por acaso eles pensam que os leitores são marcianos recém-desembarcados no planeta ? Ninguém avisou a esses jornalistas que a TV e os milhões de sites de notícias já divulgaram, desde a véspera, as mesmíssimas informações que eles agora repetem feito papagaios no nobilíssimo espaço da primeira página ?Os autores dessas obras-primas ( primeiras páginas que não trazem uma única novidade para o leitor médio!) são, com certeza, jornalistas que temem pelo futuro do jornal impresso.É triste dizer, mas eles estão cobertos de razão: feitos desse jeito, os jornais impressos estão, sim, caminhando celeremente para o mausoléu. Não resistirão.Os coveiros da imprensa estão trabalhando freneticamente: são aqueles profissionais que aplicam cem por cento de suas energias para conceber produtos burocráticos, óbvios, chatos, soporíferos e repetitivos.Em suma: os jornalistas estão matando o jornalismo.Quem já passou quinze segundos numa redação é perfeitamente capaz de identificar os coveiros do jornalismo: são burocratas entediados e pretensiosos que vivem erguendo barreiras para impedir que histórias interessantes cheguem ao conhecimento do público. Ou então queimam neurônios tentando descobrir qual é a maneira menos atraente, mais fria e mais burocrática de transmitir ao público algo que, na essência, pode ser espetacular e surpreendente: a Grande Marcha dos Fatos.
Qualquer criança desdentada sabe que não existe nada tão fácil na profissão quanto "derrubar" uma matéria. Há sempre um idiota de plantão para dizer : "ah, não, o jornal X já deu uma nota sobre esse assunto"; "ah, não, o jornal Y publicou há trinta anos algo parecido" e assim por diante. O resultado desse exercício de trucidamento jornalístico é o que se vê: uma imprensa chata, chata, chata, chata. É raríssimo aparecer um salvador de pátria que pergunte: por que jogar notícias no lixo, oh paspalhos ? Por que é que vocês não procuram uma maneira interessante e original de contar - e oferecer ao publico - uma história ? Haverá sempre uma saída! A regra vale para jornal impresso, revista, rádio, TV, internet, o escambau.Mas, não. Contam-se nos dedos da mão de um mutilado de guerra os jornalistas que devotam o melhor de suas energias para fazer um jornalismo vívido e interessante. Já os burocratas e assassinos, numerosíssimos, continuam golpeando o Jornalismo aos poucos. Vão matá-lo, cedo ou tarde, é claro.Não há organismo que resista à repetição dos botes dos abutres ( um dia, quando estiver prostrado à beira de um pedaço de mar verde da porção nordeste do Brasil, farei - de memória - uma lista dos crimes que já vi serem cometidos, impunemente, nas redações. Se tiver paciência para juntar sujeito e predicado, prometo que farei um post. Almas ingênuas podem acreditar que absurdos não acontecem com frequência nos zoológicos jornalísticos. Mas, em verdade, vos digo: acontecem, diariamente. O pior, o trágico, o cômico, o indefensável é que os assassinos do Jornalismo são gratificados com férias, décimo-terceiro, plano de saúde, aposentadoria, seguro de vida e vale-alimentação. Detalhe: lá no fundo, devem achar que ganham pouco....Quá-quá-quá).
Um detalhe inacreditável: em qualquer roda de conversa numa redação, em qualquer congresso ( zzzzzzzzzzz) de Jornalismo, é possível ouvir que há saídas simplíssimas. Bastaria tomar - por exemplo - providências estritamente "técnicas": em vez de repetir papagaiamente(*) nos títulos aquilo que a TV e a internet já cansaram de divulgar, por que é que os jornais não destacam na primeira página a informação inédita, o ângulo pouco explorado, o detalhe capaz de prender a atenção do coitado do leitor na banca ? Pode parecer o óbvio dos óbvios, mas nenhum jornal faz. Qualquer lesma semi-alfabetizada sabe, mas nenhum jornal faz. Se fizessem este esforço, os jornais poderiam, quem sabe, atiçar a curiosidade do leitor indefeso que entra numa banca em busca de uma leitura atraente. Coitado. Não encontrará. É mais fácil encontrar um neurônio em atividade no cérebro de Gretchen.Fiz um teste que poderia ser aplicado a qualquer estagiário de jornalismo: tentar achar, no exemplar que tenho em mãos, informações que rendam títulos menos burocráticos e mais atraentes do que os que o jornal trouxe na primeira página. Em quinze segundos, pude constatar que havia,sim, no texto das matérias, informações mais interessantes do que as que foram destacadas nos títulos óbvios. Um exemplo, entre tantos: a chamada do futebol na primeira página dizia "São Paulo abre 5 pontos sobre o Grêmio". Por que não algo como "TREINADOR PROÍBE COMEMORAÇÃO ANTECIPADA NO SÃO PAULO" ou "JOGADORES DO SÃO PAULO PROBIDOS DE IR A PROGRAMAS DE TV" ? A matéria sobre as enchentes dizia que, depois do maior temporal dos últimos dez anos, Santa Catarina enfrentava racionamento de água potável - um duplo castigo. E assim por diante. Daria para fazer dez chamadas diferentes. Mas.....o jornal repete na manchete o que a TV já tinha dito. Quanto ao futebol: com toda certeza, as informações que ficaram escondidas no texto eram mais atraentes do que a mera contagem de pontos que o jornal estampou no título da primeira página! Afinal, cem por cento dos torcedores do São Paulo já sabiam, desde a véspera, que o time disparara na liderança. Não é exagero dizer: cem por cento sabiam. Mas, a não ser os fanáticos por resenhas esportivas, poucos sabiam que o treinador tinha proibido os jogadores de participarem de programas de TV, para evitar comemorações antecipadas. Por que, então, esconder o detalhe mais interessante ? É que os editores fazem: tratam de sepultar a informação mais atraente em algum parágrafo remoto, lá dentro do jornal. Depois, querem que o leitor saia da banca satisfeito por ter pago para ler o que já sabia....Estão loucos. Resumo da ópera: os assassinos do Jornalismo, comprovadamente, são os jornalistas. É uma gentalha pretensiosa porque acha que pode decidir, impunemente, o que é que o leitor deve saber. Coitados. O que os abutres fazem, na maior parte do tempo, em todas as redações, sem exceção, é simplesmente tornar chata e burocrática uma profissão que, em tese, tinha tudo para ser vibrante e atraente.Mas nem tudo há de se perder. Os jornais podem, perfeitamente, ser usados como guarda-chuva. Fiz o teste. O resultado foi bom: cheguei tecnicamente enxuto ao destino. (*)Papagaiamente: neologismo que acabo de criar, iluminado por uma inspiração animalesca.

Repercussão zero


Um operador da Bolsa de Valores de São Paulo tentou o suicídio durante o pregão na semana passada. Antes disso, telefonou para a mulher, falou com um a um dos filhos e, aí, fez o que fez. Fato noticiado nos jornais e em alguns sites. As emissoras de televisão simplesmente ignoraram ou limitaram-se a rápidos registros. A Globo News, por exemplo, estava lá, com equipe completa e uma repórter. Na verdade Existe sim, e todo mundo sabe, um pacto velado entre as emissoras em não divulgar suicídio. Só que este foi um caso diferente, com algumas questões que devem merecer melhor análise: como, por exemplo, numa crise brava como essa de agora, alguém entra armado na Bolsa de Valores? Não quero, e nem posso acreditar que houve por aí uma operação “cala boca”, para atender interesses maiores. Mas o silêncio em torno é, no mínimo, suspeito.

GREVE NA UECE, pela 20ª vez este ano!

Resproduzindo texto dos criadores do movimento de Greve:
TODOS À ASSEMBLÉIA GERAL (CAPITAL E INTERIOR) DIA 27/11, ÀS 09 HORAS, NO GINÁSIO AÉCIO DE BORBAConstruir a greve unificada do magistério para arrancar o piso salarial. * Por um piso de R$ 2750,00 (início de carreira)! e redução da jornada de trabalho por meio da escala móvel das horas de trabalho, sem redução de salário; * Estabilidade para todos professores* Progressão para todos! Abaixo a avaliação de desempenho! * Por emprego à juventude! Por um ensino público gratuito, laico e enraizado na produção social; * Abaixo o capitalismo! Pela Revolução Proletária e o Socialismo! * Que os sindicatos e a CUT organizem a resistência dos trabalhadores para enfrentar a política dos governos de descarregar a crise capitalista sobre a maioria explorada. Corrente Proletária na Educação/POR

Desta forma, acho difícil a galera aguentar, se ainda tinha alguém na UECE, estes vão cantar para subir!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Panorama da TV Brasileira. Melhor contratar o coelho!!!

Panorama das corridas: sexta-feira, hora do almoço, Globo, com jornalismo, links ao vivo e toda parafernália de praxe, tinha nove pontos no Ibope. Record e Band, da mesma forma, também com jornalismo, respectivamente, 6 e 4. No SBT, programa infantil e um quadro de prêmios, com o coelho entrando nas casinhas. Audiência? 10 pontos. Primeiro lugar.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Fábio Amywinehouseou....

A boa do dia é a história do vexame que Fábio Jr. deu em Maringá (o correto seria dizer “teria dado”, para evitar processos, mas essa história é boa demais para ter a veracidade checada).
De acordo com diversos blogs, Fábio amywinehouseou, subiu no palco completamente alterado, só conseguiu cantar com a ajuda dos backing vocals, chorou, e depois de cinco músicas saiu sem dizer brigaduuuu, caiu atrás do palco e não voltou mais.

Foto tirada por um fã ANTES do show começar:

Deeesce, Nelson!!!!!!!!!!!!!!!!

Não sabemos direito que parte da história que a gente perdeu, mas fato é que Carla Perez vai estrear hoje uma peça de Nelson Rodrigues, depois de terminar um curso de Nilton Travesso. A gente acha que depois do curso do Travesso o máximo que Carlinha poderia fazer era montar um grupo chamado “As Travessas” e rebolar até o chão, mas enfim, se ela acha que dá, então a gente torce pra ela continuar a saga e encenar, junto com Compadre Washington, outra obra de Nelson Rodrigues: “Bonitinha mas…”
"ordinária..........."

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Estes são os brasileirinhos-padrão segundo a revista Veja



Na seção A Semana de Carta Capital, Mino Carta estampa um convite da revista da Abril para um seminário sobre “O Brasil que queremos ser”. Mostra a imagem do lindo convite com uma breve legenda. Em seguida, Carta Capital explica o sentido da foto das duas lindas crianças: “O anúncio do seminário convocado para discutir O Brasil que Queremos Ser apresentava como garotos-propaganda duas crianças caucasianas, provavelmente alemãs, ou talvez suecas.